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Experiências na alfândega

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Nos últimos dias recebemos algumas perguntas sobre os procedimentos adotados pelos oficiais da Polícia Federal no desembarque dos aeroportos e por isso resolvi descrever os procedimentos e as sensações que senti nas diversas vezes que desembarquei no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, vindo dos States.

Logicamente essas experiências variam muito de pessoa para pessoa, e dependem de vários fatores, desde os oficiais de plantão até a procedência do vôo, passando pelas reações que apresentamos na fila, e que são monitoradas pelos olhos treinados desses profissionais. Mas vamos lá:

No avião, voltando para casa
O processo de desembarcar no Brasil começa durante o vôo de retorno, quando temos que preencher o formulário alfandegário. O formulário apresenta um bloco de perguntas como esse:

“Está trazendo na bagagem:

  • animais, vegetais ou suas partes, sementes, produtos de origem animal ou vegetal, produtos veterinários ou agrotóxicos?
  • produtos médicos, produtos para diagnóstico in vitro, produtos para limpeza, materiais biológicos?
  • medicamentos, exceto os de uso pessoal, ou alimentos de qualquer tipo?
  • armas ou munições?
  • bens com destinação comercial ou industrial ou que deverão ser submetidos a despacho de importação pelo real proprietário?
  • bens em valor superior a R$ 3.000,00 (via aérea ou marítima) ou em qualquer valor (via terrestre, fluvial ou lacustre), para ingresso temporário? (somente para não residentes)
  • bens sujeitos à tributação (consulte o quadro Informações Gerais)?
  • valores (em espécie, cheques ou cheques de viagem) superiores a R$ 10.000,00 ou seu equivalente em outra moeda?

Se você respondeu SIM a qualquer das questões acima, dirija-se ao canal BENS A DECLARAR e apresente-se à fiscalização aduaneira.
Se você respondeu NÃO a todas as perguntas dirija-se ao canal NADA A DECLARAR.”

Após isso, se a resposta à uma das questões for sim é preciso listar os bens, com marca, modelo e número de série, caso possuam, e o valor pago por cada um deles (sem frete e sem impostos).

A fila de “Nada à Declarar”
A fila de “Nada à declarar” recebe a grande maioria dos viajantes. É bem fácil reconhecê-la, já que mesmo os portadores de grandes pacotes ou malas cheias de eletrônicos tentam a sorte por ali.

Ao final da fila, e à poucos metros da saída da área alfandegária fica o oficial que assume o papel de carrasco maior: a pessoa que decidirá se você seguirá em direção à porta de saída, irradiando felicidade por todos os eletrônicos baratos que estão na mala, ou se enfrentará a ira do equipamento de Raios-X. Esse oficial, normalmente uma pessoa experiente, que o está analisando desde que você entrou na fila, tentando interpretar seu nervosismo e ansiedade, verificará seu formulário, dará uma olhada naquela montanha de malas e lhe indicará com o braço o caminho a seguir.

  • Como citei, caso você seja agraciado com o caminho da saída, você está livre. Mas por favor não faça caretas nem “nhé nhé nhé” para os oficiais de plantão.
  • Caso contrário você entrará na fila do equipamento de Raios-X. Chegando a ele, você será convidado a colocar todas as suas malas, mochilas, pastas, maletas, bolsas e pochetes, além daquelas caixas extras e sacolinhas (menos as do Free Shop da saída) na esteira. E não tem ajuda não, por isso prepare-se para uma sessão puxada de alterofilismo.
    Cada volume passará pelo equipamento, e um oficial analisará o conteúdo mostrado em vários níveis, à procura de eletrônicos, armas e afins enfiados entre suas roupas.
    • Caso não encontrem nada comprometedor, você poderá colocar tudo de volta no carrinho (que não anda nem com reza brava com o tanto de volumes que você trouxe!) e cair fora. Você está livre!
    • Já se você trouxe algo suspeito, terá suas malas revistadas, e os invoices (notas fiscais) dos produtos solicitadas. Se não tiver as notas, os oficiais procurarão pelos preços na internet, em sites de compras on-line e até no eBay. Não há como escapar. Você terá que pagar o imposto (50%) e a multa (50%). Veja nossa calculadora de impostos na lateral direita do site para simular os valores.

Minhas experiências nessa fila me mostraram que algumas coisas influenciam muito o oficial na decisão de lhe enviar ao equipamento de Raios-X ou não, como a quantidade de malas, se existe uma pasta ou mochila de notebook à vista e se existem caixas ou sacolas fora das malas (geralmente coisas que não couberam na mala de mão e que são muito sensíveis para enfrentar as malas despachadas.

A fila de “Bens à Declarar”
Já nessa “fila” não à fila. Parece um paraíso. O equipamento de Raios-X está ali, esperando por você. Novamente o peso das malas é todo seu, mas os oficiais são mais educados. Verificam seu formulário e comparam com o que viram no equipamento. Geralmente ninguém te pede pra abrir nada. O oficial apenas pega seu formulário, preenche a guia de importação e o Darf e pede para você pagá-lo em uma agência do Banco Safra que fica no lado de fora da alfândega, aberta 24 horas. Eles aceitam dinheiro, cheque e cartões de débito, mas tenha em mente que o CPF do titular da conta deve bater com o do Darf.
Depois de pago basta apresentar o comprovante ao oficial, pegar a guia de importação e sair, com o prazer do dever cívico cumprido (hahahahaha).
Mas não se esqueça que a montagem das malas no carrinho é toda sua novamente, e o carrinho continua não funcionando (que saudades dos carrinhos pagos de Orlando e Miami).

Tive boas experiências declarando os produtos excedentes e pagando os impostos (bem, não pagando os impostos, né?), porque os oficiais são bem humorados e gentis, o processo é tranqüilo, apesar de um pouco demorado, e todas as vezes que declarei meus computadores ninguém questionou o restante que estava nas malas, e eu tive o desconto integral da cota, mesmo com DVD Players portáteis, câmera fotográfica, HD externo e uma série de outras coisas nas malas (todas dentro da cota, claro). Até um iPhone no bolso eu tinha na última viagem.

E por falar em iPhone no bolso, isso é uma curiosidade que muita gente tem. Eu nunca fui revistado, nem passei por nenhum lugar que detectasse eletrônicos nos bolsos, dentro da alfândega. E também nunca vi ninguém sendo revistado à procura de eletrônicos escondidos. Mas é claro que é bom não abusar.

Por fim, posso dizer que a dica importante dessas experiências, depois de uma viagem cansativa e desgastante, carregando malas de um lado para o outro, é tratar bem os oficiais da Polícia Federal que trabalham na alfândega. Eles estão apenas fazendo cumprir as leis, por mais absurdas que possam parecer, escritas pelos representantes do povo (ou seja, nossos representantes). Deve ser bem desagradável ficar ouvindo as desculpas e os golpes mais manjados do planeta, aplicados a cada 5 minutos, pelos espertos de plantão. Por isso, trate-os com respeito e com educação, e não pensem que esses profissionais são idiotas mal pagos, porque eles não o são.






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413 Respostas to “Experiências na alfândega”

  1. Leo Diz:

    Olá , eu vou para os estados Unidos em Julho ,vou cm uma escola de intercambio e gostaria de saber se fica mais fácil passar pela alfandega por conta da escola ?
    e pretendo comprar um S3 lá, se eu levar ele no meu bolso e baixar alguns arquivos,musicas,imagens,fica mais fácil dizer q tenho ele a mais tempo ? ou eles descobrem do mesmo jeito ?

  2. Silmara Diz:

    Vou viajar e comprar roupas para os meus 3 filhos, para mim e meu marido. Só vou com esse intuito. Devo declarar? Vou voltar por Manaus e dizem que lá e terrível, por isso estou pensando em declarar mesmo não trazendo nenhum eletrônico. Seria estranho?

  3. Rodrigo Diz:

    Se você tiver algum bem que deseja declarar, então preencha a ficha no avião.
    Quando chegar a hora de você escolher em qual fila seguir, atende se existe algum oficial fiscalizando.. Se não tiver, então vá direto para a fila de `nada a declarar`

    Voce tambem pode ficar ‘enrolando’ no dutty, até que todos já tenham saído. O oficial pode também não estar lá no momento.

  4. Amanda Diz:

    Oi, adoro o site de vcs. Mas sou meio lerda, to entendendo… aí já não entendi mais. Por tópicos:

    1 – apenas eletronicos entram nesse limite de 500 dolares? então coisas como roupas, perfumes, cremes, brinquedos, pelucias, canecas eu posso trazer a vontade? (com bom senso, claro)
    2 – eu levando aqui do brasil os meus eletrnociso de uso pessoal como celular, notebook, camera fotografica… vou ter problemas na volta se trouxer celular, notebook e camera novos? e mais os meus já usados? (não pergunto com relação ao limite de valor, mas sim com relação a quantidade de itens).
    3 – é proibido trazer comida e bebida? exemplo: doces, chocolates, mac and cheese, bagle, refrigerantes, sucos?
    4 – o limite de bagagem é 2 malas de 23kg cada e mais uma mala de mão de 5kg?

    Obrigada e desculpa o exagero de perguntas, kkkk

  5. Arthur Diz:

    Olá, estou estudando Ingles em Boston, por um periodo de 6 meses. Cheguei em Janeiro e volto daqui a uns dias. Eu sou musico (tenho como provar, com shows realizados, palhetas personalizadas da banda…). Enquanto estive por aqui, comprei um equipamento musical (basicamente um power amplificador, um pre amplificador e um processador de efeitos). E coloquei eles em 2 cases de rack, um de 4u com o power amplificador (que é super pesado), e no outro com os outros dois, uma régua de 40 dolares e uma gaveta de rack. Além disso, estou voltando com uma guitarra e um computador, ambos comprei logo que cheguei aqui.

    Tudo isso (menos o computador) comprei usado, tanto que o power/pré amplificador são bem antigos, não vendem no brasil e nem fabricam mais.. por isso estão cheio de marcas de uso. De resto, estou levando apenas uma mala grande com roupas e outros pertences pessoais que utilizei nos 6 meses que fiquei aqui..

    Está tudo com cara de usado, pois como uso aqui, e até gravei alguns videos tocando, já está os presets programados, os cabos “conectados”… pretendo embrulhar os dois cases naqueles plasticos verdes para, principalmente evitar impactos, pois é um equipamento muito fragil.

    Tenho grandes chances de ser parado? levando em conta que o equipamento está (Bem) usado, sou musico e estudante.. obrigado

  6. Junior Diz:

    Olá, os oficiais que trabalham na alfândega são da Receita Federal e não da Polícia Federal. Abraço.

  7. Eduarda Diz:

    Olá,sou marinheira de primeira viagem e gostaria de saber se alguém indo por Ssa teve problemS?

  8. william Diz:

    Ola, estou com uma duvida sobre a alfandega.
    O voo que pretendo pegar na volta é assim: Orlando x Sao Paulo x Belem. Como meu destino final será Belem, irei apenas fazer conexão em SP. Onde irei passar pela alfandega??No de SP q é so conexão msm ou no de Belem??

  9. Larissa borges Diz:

    Olá , vou pra orlando em uma excursão , sou adolescente . Queria comprar um macbook air que no site está U$ 900.00 , mas fora isso não vou comprar eletrônicos , porque ja vou levar meu iphone . Vou comprar muitas roupas para uso pessoal e perfume , não são problemas né? Como é excursão o risco da alfandega parar é menor? O imposto que vou pagar seria no caso então só dos 400 dolares excedidos? Ouvi dizer que a lei permite 1 relogio 1 aparelho celular e 1 camera , mas alguns dizem que tb pode levar 1 notebook . Eu devo declarar meu macbook ou não?

  10. Luciana Diz:

    Oi meu nome e Luciana eu moro nos USA e viajei para o Brasil com duas malas e não declarei e eles cosfiscaram todas as coisas que eu levei ,porque foi considerado fora do conceito bagagem encontraram uma agenda com anotações de encomendas e preço ,será que tem alguma forma de recuperar ,que devo fazer ,desde já obrigado

  11. Arielly Diz:

    Ola! Estou voltando dos estados unidos e comprei aqui uma arma de brinquedo pra minha festa a fantasia. Vou de xerife e ‘e impossivel um xerife sem arma. Nao quero me desfazer dela, nao sabia que nao podia entrar no brasil com isso, afinal, ‘e um brinquedo! Por favor, me ajudem a pensar numa solucao, qual a melhor forma de levar? declarar que estou portando uma arma? desmontar ela como ja li varios depoimentos de pessoas que fizeram? nao quero ser presa ou ter minha mala apreendida… obrigada!

  12. Karina Diz:

    Ola,queria saber se quando vai em excursão é mais difícil ser parado na alfandega?

  13. Jaqueline Diz:

    Boa tarde.
    Trouxe da Turquia algumas peças para barco, mas não ultrapassou de U$ 238.44,porém passei pelo nada a declarar, mas as peças ficaram presa na alfandega em GRU, estou com a Invoice da mercadoria, mas não sei como proceder para tentar realizar a liberação.

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