Morar nos Estados Unidos sempre foi um sonho para mim. Tanto que eu acabei compartilhando esse sonho com a minha esposa. Porém, eu sempre fui um pouco covarde ou excessivamente cauteloso. E talvez exatamente por causa disso grandes decisões e mudanças da minha vida simplesmente aconteceram, sem ou com muito pouco planejamento. Mesmo assim, nossa última viagem renovou o desejo de mudarmos para os Estados Unidos e vivermos, pelo menos por um tempo, por lá.
E apesar de parte desse desejo ser inexplicável, logicamente falando, muito dele tem sido alimentado pela incrível sensação de tranquilidade que se tem por lá. E eu não falo só da segurança nas ruas, de não ter medo de andar com equipamentos caros, de parar nos semáforos ou de ser abordado por motoqueiros que andam entre as faixas (isso não existe por lá), apesar disso pesar muito. Eu falo da tranquilidade de ser respeitado como pessoa. Como consumidor. A sensação que tenho aqui no Brasil é que, apesar de termos avançado muito com o código do consumidor e outras leis, ainda existe uma desconfiança geral. O consumidor é tratado como vilão, quer seja quando deseja trocar algo, quer seja quando reclama de algum serviço. E geralmente somos mal atendidos pelos prestadores de serviços, principalmente os de serviços excensiais. E somos tratados como capacho pelas agencias do Governo. Enfim, existe uma desconfiança geral. Parece que todo mundo quer enganar todo mundo.
Nos Estados Unidos a sensação é oposta. Quando estou lá me sinto muito mais seguro de que terei meus direitos preservados, e que não tentarão me enganar. E isso é confirmado pelas ações do dia-a-dia. Vou tentar exemplificar o que estou falando: nos Estados Unidos quando se compra algo numa loja, você tem 30 dias para devolver ou trocar o que comprou. Compramos um boneco para a Isabela em Orlando. Na verdade, eram dois, do High School Musical, que cantavam um trecho da música do filme. Era o último conjunto da loja (uma cadeia enorme de lojas chamada Target) e como o preço estava bom, compramos, mesmo com um dos bonecos meio rouco. Aproveitei e comprei também pilhas novas, imaginando que a rouquidão tinha a ver com pilhas fracas. Porém, como não tinha uma chave de fenda em Orlando, esperei até chegarmos em Fort Lauderdale, para pegar uma chave do Alex. Já em Fort Lauderdale troquei as pilhas e os bonecos continuaram com problemas. Então, fui a uma Target e expliquei o que havia acontecido, apenas com os bonecos e o cupom da loja. Peguei outra caixa de bonecos para a atendente coletar o código de barras e ela, sem nem testar os bonecos, me perguntou se eu queria trocar ou apenas receber o dinheiro de volta. Pedi para trocar, ela agradeceu e ainda devolveu a diferença do valor dos impostos. E olha que a caixa naquela loja era US$ 4,00 mais cara que o valor que havíamos pago. Em resumo, se você compra algo e ele não funciona a contento, ou não lhe agrada, ou não serve direito, você simplesmente volta à loja e devolve. E eles devolvem seu dinheiro. Não é preciso comprar nada da loja.
As operações com cartões de crédito são muito tranquilas. Tanto que em alguns lugares, como postos de gasolina e nas Starbucks não é nem necessário assinar o recibo do cartão. Existe uma confiança mutua entre a loja e o cliente, e uma confiança ainda maior na agilidade e eficácia da justiça, coisa que nem sonhamos em ter por aqui.
Além disso, cada vez que atualizo minha planilha de custos, atualizando os custos de se morar com uma família de 4 pessoas por lá, fico mais assustando em quanto sofremos por aqui. Quanto do nosso dinheiro é “roubado” como impostos que vão definitivamente para os bolsos de um bando de “espertos” que se aproveitam desse nossocarma de “jeitinho brasileiro”.
Enfim, comecei novamente a me movimentar e arquitetar nossa mudança. Isso não deve acontecer antes de 2009, o que me dará tempo suficiente para estudar todas as possibilidades e preparar tudo. E conforme for levantando possibilidades, custos e informações importantes, irei postando tudo por aqui. Compartilhando tudo com vocês.
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October 30th, 2007 at 1:10 pm
Maravilha Ivan!!! Eu e meu marido (com dois filhos) também começamos a pensar seriamente em irmos para Miami. Não só pensar, mas sonhar e vamos começar a colher informações essenciais para que este sonho se realize. Acho que independente de qualquer coisa precisamos de um dinheiro em caixa, então com certeza não vai rolar mesmo antes de 2009 pra gente também. Minha maior preocupação é com escola pros meninos, mas vou passeando por aqui e coletando informações. Valeu pelo “serviço” que vocês prestam aqui. E vá enviando estes custos e informações sim.
October 30th, 2007 at 3:41 pm
Olá WanjaGuerra.
Muito obrigado pelo apoio. A nossa idéia por aqui é compartilhar as informações mesmo. E quem sabe a gente não se esbarra por lá daqui a alguns anos né?
Abraços,
Ivan
November 11th, 2007 at 9:39 pm
É isso ai Ivan…voce colocou muito bem a realidade …..parabens pela sabia decisao, desejo que corra tudo dentro do planejado.
November 12th, 2007 at 1:35 pm
Olá Manoel. Obrigado pelo apoio!
Abraços,
Ivan
September 5th, 2008 at 1:24 pm
Ivan, ótimo seu texto. Gostei mais ainda porque, apesar de nunca ter ido aos EUA, leio muito e sempre tenho informações de conhecidos sobre essa traquilidade quanto a segurança e o respeito às pessoas. Aproveito também para dizer que também tenho o sonho de mudar pra lá, meus planos são pra 2010, tenho colhido muitas informações e fazer um bom planejamento.
Parabéns pelo blog, é muito bom!
Um Abraço a todos!
September 5th, 2008 at 6:56 pm
Olá Marcus,
Muito obrigado e boa sorte na realização dos seus sonhos!
Abraços,
Ivan
September 5th, 2008 at 8:04 pm
Queria fazer uma pergunta, você falou de trabalho e pelo que vi seu amigo Alex está lá e trabalhando. Qual a profissão de vocês? Conseguiram trabalho nela ou começaram com outra coisa?
Se este não for o canal ideal pra perguntas, me avise que farei no lugar correto.
Obrigado!
Um Abraço!
September 7th, 2008 at 8:46 pm
Olá Marcus Vinícius,
Eu e o Ivan, por coincidência trabalhamos na área de informática (TI). Resumindo, eu fiz colégio técnico em Processamento de Dados no Brasil. Quando cheguei aqui, trabalhei por dois anos como manobrista, e só depois disso é que eu consegui entrar pra minha área. Vai em nossa página de arquivos, e começa a ler os posts de 2007 que conto toda minha história…
Abraços!
November 5th, 2008 at 1:44 pm
Lá é outra coisa mesmo. Não há grades nas janelas, os carros ficam na rua tranquilamente, e realmente, vc nao precisa se preocupar em ficar meia hora convencendo o vendedor que você quer trocar algo porque veio com defeito. Eles nem perguntam o que houve, quer trocar? Dinheiro ou outro produto igual? É isso aí. Fora que sabe-se exatamente quanto se paga de imposto em cada produto.
Boa sorte com sua ida!