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O novo passaporte brasileiro

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Como desenvolvedor de software eu sei que falhas em sistemas são mais comuns do que se desejaria. Mas a grande maioria delas geralmente poderia ser evitada se houvesse mais investimento em processos, treinamento e testes. Infelizmente parece que qualquer projeto nessa área começa sempre atrasado e com urgência. Nunca entendi muito bem porque as negociações comerciais e orçamentárias podem se estender por meses, com reuniões e mais reuniões e o cronograma de entrega dos projetos nunca pode ser alterado, mesmo que as datas iniciais tenham sido perdidas exatamente por causa da negociações. Parece um pouco demagógico, como muita coisa no mundo dos negócios aliás.

“Mas porque eu falando sobre isso nesse blog?”, você pode estar se perguntando. Bom, pra falar sobre o novo passaporte brasileiro.

A dois meses atrás fomos tirar os passaportes para as meninas, pra podermos viajar. Pesquisei na internet e descobri que as coisas mudaram bastante desde a renovação do meu passaporte em 2004. Muitas delas para melhor. Hoje não é mais preciso comprar o formulário na papelaria e preenchê-lo. Basta acessar a internet e fazer todo o preenchimento on-line. O sistema emite o darf para o pagamento e um protocolo que será entregue na Polícia Federal. E essa é a parte boa.

Infelizmente, por alguma questão que eu não consegui entender você precisa escolher o local aonde vai fazer o passaporte antes de gerar o darf de pagamento. Isso porque uma vez pago, não é possível mudar de local. Isso pode não parecer um grande problema, se não fosse um pequeno detalhe: desde que implementaram o novo passaporte, o processo de coleta de dados nos postos da Polícia Federal mudou, e ficou muito mais lento. Por causa disso, e também por um problema envolvendo a capacidade de impressão dos equipamentos novos, os postos da PF começaram a limitar o número de atendimentos feitos por dia. E por causa disso, alguns postos adotaram o sistema de agendamento enquanto outros utilizam o sistema de filas. E e aí que está o grande inconveniente de não poder mudar de posto depois de pago o darf. Se você escolhe o posto do Shopping Ibirapuera, paga a taxa e depois descobre que precisa agendar (e o agendamento estava por volta de 40 dias) só pode trocar de posto pagando a taxa novamente. Vai entender né?

Enfim, resolvemos fazer os passaportes no Shopping Eldorado. Como o posto da PF começava a distribuir as senhas às 9:30h, resolvemos chegar umas 8:00h, já que existia um limite de 70 senhas por dia. Quando chegamos lá havia uma fila quilométrica. Conversando com o pessoal da fila descobri que a primeira pessoa havia chegado às 4h da manhã!

Como estávamos com duas crianças, uma delas com menos de dois anos, fomos colocados no atendimento preferencial, que inicia antes do atendimento normal (mas muita gente que chegou no mesmo horário que nós não foi atendido, e teve que voltar em outro dia). Entramos no posto e aí eu entendi porque toda a demora. O novo sistema deveria ser mais ágil. Afinal, agora as fotos são tiradas na hora e as digitais são coletadas eletronicamente. Mas o sistema, segundo palavras do próprio oficial da PF que nos atendia, é lento e trava muito. E eu pude comprovar isso. Primeiro porque ao invés de colocarem um coletor de assinaturas digital, como é tão comum nos Estados Unidos, até em lojas como Target e Wal-Mart, aqui eles escaneiam todos os documentos que você imprimiu e assinou, além dos passaportes antigos que serão renovados.
Além disso, os cabos de conexão de periféricos como a câmera fotográfica estão expostos, o que permite que qualquer criança os puxe desconectando o periférico e travando o sistema. Mas ele trava também sem ninguém fazer nada. Numa das fotos do passaporte das meninas o oficial precisou desligar o computador duas vezes para conseguir concluir o processo.

Por fim terminamos o processo. A entrega do novo passaporte foi feita 7 dias depois sem problemas. O novo passaporte é menor e mais fino que o antigo. E muito mais moderno. Pena que além do transtorno que vem causando para quem precisa dele, ainda faltam nele informações como a filiação, que permitem que os filhos sejam relacionados com os pais em uma viagem. Além disso, fica mais uma vez a clara sensação de que nesse país cada vez mais a classe média é a classe menos respeitada, seja solicitando passaportes ou tentando embarcar em um avião.






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2 Respostas to “O novo passaporte brasileiro”

  1. Rafael Diz:

    Que sorte. Aqui no Rio de Janeiro os agendamentos dos sites não funcionam e eu não sei o que fazer.

  2. Ivan Diz:

    Olá Rafael.

    Pois é. Parece que mesmo tanto tempo depois de implantado o novo passaporte a bagunça ainda impera, não é? Sorte de quem mora em locais aonde o novo passaporte ainda não foi implantado. Sinto muito, mas nesses casos acho que a única alternativa é ir até um posto de emissão de passaportes para pedir informações e talvez enfrentar uma fila na madrugada.

    Abraços e boa sorte.

    Ivan

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